sábado, 18 de junho de 2011

Gatinhos II

Como tinha dito aqui a minha gata teve gatinhos. Desta vez ficaram mais tempo em casa do que o que deviam e eu fiquei a gostar mesmo muito de todos e foi muito difícil separar-me deles. Não gosto de me afeiçoar tanto aos animais porque depois custa-me mesmo muito entregá-los aos novos donos.
Mas o mais difícil foi ver a Rita (a gata) a miar como uma desalmada no dia a seguir a ter sido dado o último filhote dela...Mas tem que ser, senão tinha um gatil em casa.
Ficam aqui algumas imagens dos gatinhos com dois meses para verem como são bonitos e para verem a evolução dos bichinhos :)


terça-feira, 14 de junho de 2011

O professor de história do 7º ano

Ontem estive à conversa com um professor de história do secundário e acabei por ir dormir a tentar lembrar-me dos meus professores de história.
E, como não podia deixar de ser lembrei-me da professora de história do 7º ano, a “australopiteca”. Todos os professores de história do 7º ano são conhecidos pelos alunos por “australopitecos”, é inevitável. Um professor que diga pela primeira vez “a forma mais primitiva do ser humano é o australopiteco” e mostre uma imagem de um australopiteco pode considerar como direito adquirido o apelido Australopiteco. Até porque um aluno que vê a imagem pela primeira vez numa aula de história só tem lá um adulto na sala a quem comparar o australopiteco…
Este apelido pode ter uma duração muito variável: Ou esse professor muda de escola e na escola nova nunca mais fala em australopitecos, ou deixa de dar aulas ao 7º ano na escola em que se encontra e espera que todos os alunos de quem foi professor do 7º ano de história saiam da escola sem passar a mensagem às turmas seguintes, o que raramente acontece. Mas na mente de alguém vão ser sempre relembrados como o australopiteco.
De qualquer forma, se forem professores de história do 7º ano esqueçam o vosso nome a partir do momento em que digam a palavra “australopiteco” perante uma turma de adolescentes que nunca ouviram falar em tal.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Falta de sono e sonhos estranhos

Ando com os sonos todos trocados… ultimamente só durmo de manhã e passo a noite toda em claro. Adormeço ai as 5h ou 6h e só acordo ao meio dia.
Mas juro que tenho as manhãs mais animadas do mundo! Já andei com um desconhecido numa mota que andava debaixo de água e que tinha um autoclismo na parte de trás para despejar a água que entrava enquanto a mota atravessava um lago. Já salvei gafanhotos mágicos de monstros. Já andei 7km a pé para tirar fotocópias a um desenho de uma matrioska e fui presa porque no trajecto parti uma garrafa de uma bebida rara e milagrosa. Já morei numa manada de mamutes, aliás, eu era um mamute… E eu juro que nunca me droguei a sério.
De modos que ando assim, passo a noite acordada e sem sono e a manhã a sonhar com coisas estúpidas e acordo um bocado cansada. A única parte fixe é que me consigo lembrar dos sonhos parvos que tenho e posso sempre utiliza-los como histórias infantis para o meu irmão. Acho que vou traumatizar o miúdo…
Aceitam-se sugestões para acabar de vez com a falta de sono a noite e sonhos estranhos, desde que não passem por tomar comprimidos para dormir.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A minha irmã

Sabem aquele tipo de mito urbano que fala de pessoas que quando vêm um vídeo a que acham piada no youtube o tem que ver 83 vezes seguidas, continuam a rir-se de tudo e tem que mostrar a toda a gente? Existem essas pessoas. Eu tenho um exemplar em casa!
A minha irmã vê uma porcaria de vídeo, que pouca piada tem, obriga-me a ver o vídeo e ri-se de todas as vezes que vê, mesmo sabendo o que vai acontecer, o minuto em que vai acontecer, o tempo que leva a acontecer, as falas de cor e tudo, basicamente ela sabe o vídeo todo, do inicio ao fim.
E isto enerva-me profundamente porque além de ser obrigada a ver o vídeo pelo menos duas vezes, porque ela mete em replay, tenho que o ouvir ai umas 82 vezes, a primeira ela vê sozinha…

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O que queres ser quando fores grande?

Quando somos pequenos toda a gente nos pergunta “O que queres ser quando fores grande?”
Quando somos mais novinhos a resposta é quase sempre alguma coisa impossível, depois mudamos conforme os dias, o humor e conforme a moda. Depois crescemos mais um bocadinho e somos influenciados pelas pessoas com quem convivemos. Mas não somos influenciados pela profissão delas, somos influenciados pela personalidade delas.
Se conhecemos uma cabeleireira bem-disposta e de quem gostamos, não interessa que nem gostemos de mexer em cabelos ou de moda, queremos ser cabeleireiros. Se sabemos que um futebolista ganha milhões, nem nos interessa se é feliz ou se nós nem gostamos muito de correr atrás de uma bola, queremos ser futebolistas.
Eu não cheguei a passar por esta fase, queria ser veterinária já desde a escola primária. Isto sem nunca sequer ter conhecido uma veterinária nem o trabalho feito por estes profissionais. Só comecei a questionar-me acerca dessa convicção quando terminou o 12º ano e quando ia concorrer à universidade.
Sempre gostei muito de animais, mas gosto deles quando estão contentes e aos saltos, não de animais doentes e que nem se podem mexer muito. Depois lembrei-me que gosto muito mais de animais pequenos como gatos e cães e não de vacas, porcos, cavalos e por ai fora, mas que um veterinário tem que saber tratar de todos, o meu medo de cobras, o não querer passar a vida enfiada numa clínica onde me levam animais a morrer. E depois surgiu também o medo de deixar morrer um animal ou de ter que abater um, pior, o medo de ter que contar a uma criança que o seu amigo tinha morrido…
Então, ali, naquela mesa de café com o livrinho azul dos cursos à frente, mudei completamente o meu rumo e passei por essas fases todas. Primeiro não estudar mais e ir trabalhar, depois enfermagem, direito, biologia, criminologia, engenharia civil, educadora de infância, professora de ciências ou matemática, música… A minha mente fervilhava de ideias e enquanto esperava por um café imaginava-me em qualquer uma dessas profissões.
Mas depois voltei a mim e a minha curiosidade falou mais alto e, dentro do ramo das ciências, claro está, escolhi descobrir. Descobrir o porquê de as coisas acontecerem, o porquê de existirem, como são feitas, descobrir soluções para melhorar o mundo e simplificar a vida. Decidi ser cientista! E mesmo não havendo um investimento muito grande por parte do nosso país na ciência, acho que escolhi bem.
Pelo menos a ideia de ser veterinária passou-me e quando olho para trás não me arrependo nadinha, ainda ontem fui levar o meu cão a apanhar uma vacina e até para o segurar enquanto o veterinário espetava a agulha me custou.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Mudam-se os tempos... e a felicidade?

Quando eu era pequena e andava na escola primária ia e vinha a pé para casa, a distância não era muita, ai uns 2 km, e éramos muitas crianças a ir. Íamos todos juntos, na brincadeira e na conversa. Andávamos, corríamos e saltávamos pelos caminhos, roubávamos flores dos jardins, falávamos com as velhotas que apareciam e sabíamos os nomes de todas…
No intervalo do almoço voltávamos juntos para casa e depois de almoçar íamos pela casa uns dos outros até estarmos todos os que tínhamos vindo para voltar para a escola. Às 15.30h a campainha tocava e voltávamos para casa outra vez, juntos, na brincadeira e na conversa. E como era cedo, fazíamos os deveres a correr para voltarmos para a rua ou para a casa de algum, ter uns com os outros e divertirmo-nos. E éramos felizes assim!
Agora já não é nada assim. As crianças parecem muito mais tristes e isoladas. Vejo isso pelo meu irmão e pelos amigos.
O efeito Maddie levou a que os pais os vão levar e buscar à escola de carro. Quando saem, às 17.30h, por causa das unidades curriculares extra de música, inglês e informática, vêm directos para casa e já não põe mais os pés na rua. Fazem os deveres e sentam-se em frente a uma televisão, um computador ou a uma playstation.
As crianças de hoje mal conhecem os vizinhos e os caminhos do sítio em que vivem, não brincam nem convivem uns com os outros, não se divertem tanto, não fazem aquelas traquinices que nós fazíamos.
Mas o que me deixa mais triste é que elas não o fazem porque não têm oportunidade. Os pais tornaram-se protectores demais, a escola ocupa-os horas demais (não estou a dizer que as unidades curriculares extra não façam falta, mas das 9h às 17.30h não parece tempo demais?), as actividades de fim-de-semana prendem-nos, o “não fales com estranhos” fazem-nos fugir das velhotas que só lhes querem perguntar o nome…
Sou eu que estou passada, ou os tempos de hoje não deixam as crianças serem felizes? Como é que eles vão ser adultos normais?

terça-feira, 7 de junho de 2011

Monitorização de um SBR/frasco de merda

Como já tinha dito aqui  no blog, no 3º ano, a minha professora favorita, de um modo totalmente aleatório, e ai de que diga o contrário, deu-me como trabalho do semestre monitorizar um SBR (Sequencing Batch Reactor). Basicamente é um reactor anaeróbio para produção de biogás.
Para quem não está muito interessado na base científica da coisa, um SBR é um frasco com merda aquecida e fechado.
Recebemos só o material, e três garrafões de merda, um de galinha, um de vaca e outro com as lamas anaeróbias, basicamente lama de ETAR, daquela cheirosinha.
Primeiro a minha professora querida e adorada mandou esterilizar o reactor. Aquilo vai levar esterco e é preciso esterilizar? Sério?
Lá esterilizamos o frasco e o meu grupo, sem mim porque mal abriram os garrafões a Caracóis já estava fora da porta a vomitar-se toda, encheu aquilo com as quantidades certas de cada coisa. Ficou um leve aroma na sala, mas trabalho é trabalho…


Depois de cheio e fechado montou-se o resto, uma panela com água a ferver e uma bomba para fazer a água passar nos tubos que estavam enrolados à volta do reactor para aquecer a merda. Ah, um termómetro para termos a certeza que a merda ia estar sempre a 35ºC e um agitador lá dentro para não haver sedimentação.
Até aqui tudo bem, com o reactor fechado já não cheirava tão mal e até se aguentava dentro da sala, o pior mesmo era todas as semanas abrir uma torneirinha e retirar pelo menos 100 ml de amostra para analisar.
Ora bem, se a merda, por si só já cheira mal, merda fechada e aquecida chega ao extremo e ou íamos buscar a amostra antes do almoço e depois já não comíamos porque estávamos enojados ou íamos depois do almoço e tínhamos o cheiro da merda aquecida mais o do vomitado. Além disso ainda tínhamos que escolher uma hora em que o laboratório estivesse vazio porque corríamos o risco de levar no focinho se abríssemos o reactor com gente lá.
Com a amostra eram feitas 6 análises, uma das quais consistia em filtrar a merda e secá-la numa estufa para ver o peso dos sólidos, as outras já eram mais sérias.
Depois de fazer isto um mês já estávamos bem habituados ao aroma da coisa, por isso já não incomodava tanto. Montamos então um medidor de biogás e qual não é o nosso espanto quando vimos que conseguimos mesmo produzir biogás? Primeiro tínhamos valores muito baixos, mas chegou a uma altura em que já eram mais altos e passados quase 3 meses já toda a gente tinha medo de se aproximar do reactor porque podia estourar a qualquer momento e um banho de merda, mesmo quente, não deve ser muito agradável.
Com isto tudo não tive oportunidade de fazer monitorização de limpeza de águas residuais, como os outros grupos da turma, mas acabei por gostar e agrada-me a ideia de a merda servir para alguma coisa. Afinal com tantos aviários e explorações em Portugal e com o petróleo a atingir preços exorbitantes, sempre podemos utilizar merda para produzir energia.