sexta-feira, 10 de junho de 2011

A minha irmã

Sabem aquele tipo de mito urbano que fala de pessoas que quando vêm um vídeo a que acham piada no youtube o tem que ver 83 vezes seguidas, continuam a rir-se de tudo e tem que mostrar a toda a gente? Existem essas pessoas. Eu tenho um exemplar em casa!
A minha irmã vê uma porcaria de vídeo, que pouca piada tem, obriga-me a ver o vídeo e ri-se de todas as vezes que vê, mesmo sabendo o que vai acontecer, o minuto em que vai acontecer, o tempo que leva a acontecer, as falas de cor e tudo, basicamente ela sabe o vídeo todo, do inicio ao fim.
E isto enerva-me profundamente porque além de ser obrigada a ver o vídeo pelo menos duas vezes, porque ela mete em replay, tenho que o ouvir ai umas 82 vezes, a primeira ela vê sozinha…

quinta-feira, 9 de junho de 2011

O que queres ser quando fores grande?

Quando somos pequenos toda a gente nos pergunta “O que queres ser quando fores grande?”
Quando somos mais novinhos a resposta é quase sempre alguma coisa impossível, depois mudamos conforme os dias, o humor e conforme a moda. Depois crescemos mais um bocadinho e somos influenciados pelas pessoas com quem convivemos. Mas não somos influenciados pela profissão delas, somos influenciados pela personalidade delas.
Se conhecemos uma cabeleireira bem-disposta e de quem gostamos, não interessa que nem gostemos de mexer em cabelos ou de moda, queremos ser cabeleireiros. Se sabemos que um futebolista ganha milhões, nem nos interessa se é feliz ou se nós nem gostamos muito de correr atrás de uma bola, queremos ser futebolistas.
Eu não cheguei a passar por esta fase, queria ser veterinária já desde a escola primária. Isto sem nunca sequer ter conhecido uma veterinária nem o trabalho feito por estes profissionais. Só comecei a questionar-me acerca dessa convicção quando terminou o 12º ano e quando ia concorrer à universidade.
Sempre gostei muito de animais, mas gosto deles quando estão contentes e aos saltos, não de animais doentes e que nem se podem mexer muito. Depois lembrei-me que gosto muito mais de animais pequenos como gatos e cães e não de vacas, porcos, cavalos e por ai fora, mas que um veterinário tem que saber tratar de todos, o meu medo de cobras, o não querer passar a vida enfiada numa clínica onde me levam animais a morrer. E depois surgiu também o medo de deixar morrer um animal ou de ter que abater um, pior, o medo de ter que contar a uma criança que o seu amigo tinha morrido…
Então, ali, naquela mesa de café com o livrinho azul dos cursos à frente, mudei completamente o meu rumo e passei por essas fases todas. Primeiro não estudar mais e ir trabalhar, depois enfermagem, direito, biologia, criminologia, engenharia civil, educadora de infância, professora de ciências ou matemática, música… A minha mente fervilhava de ideias e enquanto esperava por um café imaginava-me em qualquer uma dessas profissões.
Mas depois voltei a mim e a minha curiosidade falou mais alto e, dentro do ramo das ciências, claro está, escolhi descobrir. Descobrir o porquê de as coisas acontecerem, o porquê de existirem, como são feitas, descobrir soluções para melhorar o mundo e simplificar a vida. Decidi ser cientista! E mesmo não havendo um investimento muito grande por parte do nosso país na ciência, acho que escolhi bem.
Pelo menos a ideia de ser veterinária passou-me e quando olho para trás não me arrependo nadinha, ainda ontem fui levar o meu cão a apanhar uma vacina e até para o segurar enquanto o veterinário espetava a agulha me custou.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Mudam-se os tempos... e a felicidade?

Quando eu era pequena e andava na escola primária ia e vinha a pé para casa, a distância não era muita, ai uns 2 km, e éramos muitas crianças a ir. Íamos todos juntos, na brincadeira e na conversa. Andávamos, corríamos e saltávamos pelos caminhos, roubávamos flores dos jardins, falávamos com as velhotas que apareciam e sabíamos os nomes de todas…
No intervalo do almoço voltávamos juntos para casa e depois de almoçar íamos pela casa uns dos outros até estarmos todos os que tínhamos vindo para voltar para a escola. Às 15.30h a campainha tocava e voltávamos para casa outra vez, juntos, na brincadeira e na conversa. E como era cedo, fazíamos os deveres a correr para voltarmos para a rua ou para a casa de algum, ter uns com os outros e divertirmo-nos. E éramos felizes assim!
Agora já não é nada assim. As crianças parecem muito mais tristes e isoladas. Vejo isso pelo meu irmão e pelos amigos.
O efeito Maddie levou a que os pais os vão levar e buscar à escola de carro. Quando saem, às 17.30h, por causa das unidades curriculares extra de música, inglês e informática, vêm directos para casa e já não põe mais os pés na rua. Fazem os deveres e sentam-se em frente a uma televisão, um computador ou a uma playstation.
As crianças de hoje mal conhecem os vizinhos e os caminhos do sítio em que vivem, não brincam nem convivem uns com os outros, não se divertem tanto, não fazem aquelas traquinices que nós fazíamos.
Mas o que me deixa mais triste é que elas não o fazem porque não têm oportunidade. Os pais tornaram-se protectores demais, a escola ocupa-os horas demais (não estou a dizer que as unidades curriculares extra não façam falta, mas das 9h às 17.30h não parece tempo demais?), as actividades de fim-de-semana prendem-nos, o “não fales com estranhos” fazem-nos fugir das velhotas que só lhes querem perguntar o nome…
Sou eu que estou passada, ou os tempos de hoje não deixam as crianças serem felizes? Como é que eles vão ser adultos normais?

terça-feira, 7 de junho de 2011

Monitorização de um SBR/frasco de merda

Como já tinha dito aqui  no blog, no 3º ano, a minha professora favorita, de um modo totalmente aleatório, e ai de que diga o contrário, deu-me como trabalho do semestre monitorizar um SBR (Sequencing Batch Reactor). Basicamente é um reactor anaeróbio para produção de biogás.
Para quem não está muito interessado na base científica da coisa, um SBR é um frasco com merda aquecida e fechado.
Recebemos só o material, e três garrafões de merda, um de galinha, um de vaca e outro com as lamas anaeróbias, basicamente lama de ETAR, daquela cheirosinha.
Primeiro a minha professora querida e adorada mandou esterilizar o reactor. Aquilo vai levar esterco e é preciso esterilizar? Sério?
Lá esterilizamos o frasco e o meu grupo, sem mim porque mal abriram os garrafões a Caracóis já estava fora da porta a vomitar-se toda, encheu aquilo com as quantidades certas de cada coisa. Ficou um leve aroma na sala, mas trabalho é trabalho…


Depois de cheio e fechado montou-se o resto, uma panela com água a ferver e uma bomba para fazer a água passar nos tubos que estavam enrolados à volta do reactor para aquecer a merda. Ah, um termómetro para termos a certeza que a merda ia estar sempre a 35ºC e um agitador lá dentro para não haver sedimentação.
Até aqui tudo bem, com o reactor fechado já não cheirava tão mal e até se aguentava dentro da sala, o pior mesmo era todas as semanas abrir uma torneirinha e retirar pelo menos 100 ml de amostra para analisar.
Ora bem, se a merda, por si só já cheira mal, merda fechada e aquecida chega ao extremo e ou íamos buscar a amostra antes do almoço e depois já não comíamos porque estávamos enojados ou íamos depois do almoço e tínhamos o cheiro da merda aquecida mais o do vomitado. Além disso ainda tínhamos que escolher uma hora em que o laboratório estivesse vazio porque corríamos o risco de levar no focinho se abríssemos o reactor com gente lá.
Com a amostra eram feitas 6 análises, uma das quais consistia em filtrar a merda e secá-la numa estufa para ver o peso dos sólidos, as outras já eram mais sérias.
Depois de fazer isto um mês já estávamos bem habituados ao aroma da coisa, por isso já não incomodava tanto. Montamos então um medidor de biogás e qual não é o nosso espanto quando vimos que conseguimos mesmo produzir biogás? Primeiro tínhamos valores muito baixos, mas chegou a uma altura em que já eram mais altos e passados quase 3 meses já toda a gente tinha medo de se aproximar do reactor porque podia estourar a qualquer momento e um banho de merda, mesmo quente, não deve ser muito agradável.
Com isto tudo não tive oportunidade de fazer monitorização de limpeza de águas residuais, como os outros grupos da turma, mas acabei por gostar e agrada-me a ideia de a merda servir para alguma coisa. Afinal com tantos aviários e explorações em Portugal e com o petróleo a atingir preços exorbitantes, sempre podemos utilizar merda para produzir energia.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

anestesiada...

Para poder fazer alguma coisa no meu dente, o dentista teve que por uma dose extra de anestesia, por isso quando sai de lá tinha o lábio superior dormente.
Falava de uma maneira estranha, não sentia o lábio e tinha a sensação de que a minha boca tinha dobrado de tamanho, mas sabia que era só uma impressão e o espelho confirmou isso. Mas como não comi nada antes de ir ao dentista porque senão corria o risco de vomitar o homem todo mal ele metesse alguma daquelas coisas maquiavélicas que ele tem lá na minha boca, decidi comer quando cheguei a casa.
Com aquela sensação estranha na boca comecei a comer, trinquei o lábio com tanta força que os meus dentes lhe fizeram um corte e nem senti. Só via sangue na comida e pensei logo que tivesse feito asneira ao ir logo comer. No meu cérebro ecoava a frase “Caracóis, já f*deste tudo sua burra”, mas não, tinha cortado o lábio e agora só falo de uma maneira estranha, tenho o lábio dormente e tenho mesmo o lábio inchado, o espelho também confirmou isso.

Ir ao Dentista

Não me importo de ir sozinha a lado nenhum. Desde pequena que a minha mãe me fazia ir sozinha a todo o lado e aprendi bem a desenrascar-me. Mas há um sítio que eu ainda preciso que ela vá comigo, o dentista.
Não é por ter medo nem por me fazer impressão ir ao dentista, mas detesto mesmo ir lá sozinha, é um trauma que tenho. Gosto que ela vá comigo e se sente no banquinho atrás da cadeira dele como quando eu era pequena e que esteja lá.
É simples, a única coisa que ela tem que fazer é ir e estar lá sentada, nem precisa de falar nem nada…
Ela não gosta de ir, diz que já não sou nenhum bebé, que já tenho idade suficiente para ir sozinha e que desta vez não vai comigo. Além disso anda desde o meio-dia a dizer “Não te esqueças que tens que ir ao dentista hoje” com um sorriso nos lábios, mesmo à mete-nojo. Anda uma pessoa com um dente furado e ainda leva com uma mãe impiedosa em cima... Mas admite-se isto numa Mãe?

domingo, 5 de junho de 2011

Quem manda agora?

Trabalhei 10 horas no sábado, dormi 3 horas e hoje trabalhei mais 11 horas. Estou morta de cansaço e chegar a casa num estado destes e ainda descobrir que quem ganhou as eleições foi o PSD é motivo de quase depressão... Pior que isso é saber que quem vai mandar, além da troika claro, é o CDS, porque sem eles o PSD não tem maioria, o que significa que ou lhes fazem as vontades todas ou eles se juntam à oposição e o PSD não pode fazer nada.
Não que eu ache que o PSD vá fazer alguma coisa mais além de lamber as botas à chanceler alemã e fazer o que manda a troika...
No meio disto tudo houve uma grande vitória, a CDU elegeu o 16º deputado, pelo menos há um reforço da oposição!