Quando somos pequenos toda a gente nos pergunta “O que queres ser quando fores grande?”
Quando somos mais novinhos a resposta é quase sempre alguma coisa impossível, depois mudamos conforme os dias, o humor e conforme a moda. Depois crescemos mais um bocadinho e somos influenciados pelas pessoas com quem convivemos. Mas não somos influenciados pela profissão delas, somos influenciados pela personalidade delas.
Se conhecemos uma cabeleireira bem-disposta e de quem gostamos, não interessa que nem gostemos de mexer em cabelos ou de moda, queremos ser cabeleireiros. Se sabemos que um futebolista ganha milhões, nem nos interessa se é feliz ou se nós nem gostamos muito de correr atrás de uma bola, queremos ser futebolistas.
Eu não cheguei a passar por esta fase, queria ser veterinária já desde a escola primária. Isto sem nunca sequer ter conhecido uma veterinária nem o trabalho feito por estes profissionais. Só comecei a questionar-me acerca dessa convicção quando terminou o 12º ano e quando ia concorrer à universidade.
Sempre gostei muito de animais, mas gosto deles quando estão contentes e aos saltos, não de animais doentes e que nem se podem mexer muito. Depois lembrei-me que gosto muito mais de animais pequenos como gatos e cães e não de vacas, porcos, cavalos e por ai fora, mas que um veterinário tem que saber tratar de todos, o meu medo de cobras, o não querer passar a vida enfiada numa clínica onde me levam animais a morrer. E depois surgiu também o medo de deixar morrer um animal ou de ter que abater um, pior, o medo de ter que contar a uma criança que o seu amigo tinha morrido…
Então, ali, naquela mesa de café com o livrinho azul dos cursos à frente, mudei completamente o meu rumo e passei por essas fases todas. Primeiro não estudar mais e ir trabalhar, depois enfermagem, direito, biologia, criminologia, engenharia civil, educadora de infância, professora de ciências ou matemática, música… A minha mente fervilhava de ideias e enquanto esperava por um café imaginava-me em qualquer uma dessas profissões.
Mas depois voltei a mim e a minha curiosidade falou mais alto e, dentro do ramo das ciências, claro está, escolhi descobrir. Descobrir o porquê de as coisas acontecerem, o porquê de existirem, como são feitas, descobrir soluções para melhorar o mundo e simplificar a vida. Decidi ser cientista! E mesmo não havendo um investimento muito grande por parte do nosso país na ciência, acho que escolhi bem.
Pelo menos a ideia de ser veterinária passou-me e quando olho para trás não me arrependo nadinha, ainda ontem fui levar o meu cão a apanhar uma vacina e até para o segurar enquanto o veterinário espetava a agulha me custou.